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A casa está uma bagunça. Mas quando é que ela não está?
Você deve estar na Noruega agora, nadando junto à corrente desses dias loucos, desse desejo profundo de vida, dessa vontade inacabável de agarrar tudo nas mãos e não largar mais.
Acho que nunca vamos deixar de ser assim, né? E que delícia poder dizer isso, que delícia poder ser eu, poder ser você...
Estou deitada na cama tentando imaginar a alegria desses dias futuros. Você sobreviveu ao avião? Tomou uma birita boa no lounge do aeroporto para poder capotar por tempo indefinido? Espero que sim. Aliás, como é que aguentamos esses aviões, hein? Como é que pode uma lata de sabe-se lá quantas toneladas se sustentar assim no ar, como um carcará planando solto? Como é que você tem tanta coragem? Como faz para viver assim, com tanta ânsia e tanto temor?
Eu já sei a resposta, mas me faz bem pensar. Nesse momento tenho só o medo.
Estou feliz por você. Estou feliz pensando que você sairá mais uma vez pela porta da frente da Oslo Sentralstasjon e se emocionará de novo com aquele feixe dourado de luz a brilhar sobre o mar... Aquele mar negro da Noruega, frio como um espelho. Antigo e misterioso como um gólem.
Quero te imaginar assistindo os pescadores na ponte que liga Ulvøya à cidade, e quero imaginar os risos, os beijos, o amor... porque é neles que eu deposito minha fé.
Como você está agora? Quero saber. Viva rápido para poder me contar logo...
Que bom é viver na eterna ânsia de saber mais de mim.
Obrigada por ser você. Por sermos Eu.
Juliana
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