no subject

Time Travelled — 12 months

Peaceful right?

Dear FutureMe, Querida Rachel do Futuro, Hoje estou a escrever-te com o coração pesado. Sinto-me profundamente cansada, sozinha e sobrecarregada. Tudo dói: a culpa que corrói, a falta de valorização e amor, o desrespeito que encontro à minha volta. Mesmo aqueles que me amam, como o Jens, parecem cansados, e sinto que estou sempre a provar que mereço estar aqui, que mereço amor e cuidado. Sinto raiva, Rachel. Raiva do meu ex, que me traumatizou por anos, roubou a minha juventude, inocência e identidade. Que me perseguia, não ajudava, e ainda assim tentava controlar tudo. Raiva de ir ao tribunal e ouvir que tenho de controlar cada expressão facial ao falar dele, quando tudo o que tentei fazer foi proteger os meus filhos e sobreviver. Raiva de ser humilhada e acusada injustamente por pessoas hostis que distorcem a realidade, usando crianças e expõem a minha vida sem qualquer consideração. Sinto dor e medo. Medo de que ele tenha acesso aos meus filhos ou a mim. Medo de ficar sozinha, porque aprendi cedo que a solidão pode ser perigosa. Medo de perder o pouco de consistência e estabilidade que meus pais trazem, e de sobrecarregar quem amo com as minhas dores. Medo de que o desespero do passado volte a me consumir, como quando era criança e fui abusada, ou quando meu ex me deixava sozinha no meio da noite. Sinto uma tristeza profunda por tudo que foi roubado: minha carreira, meus sonhos, minha identidade, a mãe e a filha que eu poderia ter sido. Cada porta arremessada, cada objeto lançado, cada ameaça — cada ato deixou marcas que ainda sinto. Tudo isso me faz sentir que minha vida ideal, com filhos saudáveis, paz, liberdade e independência, parece interminável e distante. Mas, Rachel, estou aqui. Mesmo com toda a dor, raiva e medo, eu sobrevivi. Fiz escolhas para proteger os meus filhos. Tomei decisões difíceis que exigiram coragem e instinto. Mantive-me firme, mesmo quando ninguém me via ou entendia a minha dor. Hoje escrevo para me lembrar que não estou sozinha, mesmo que o mundo físico pareça distante. A minha força existe, a minha coragem existe, e a minha verdade é real. Estou a fazer o melhor que posso, e isso é suficiente. Eu mereço amor, paz e vida leve. Mereço segurança, autonomia, reconhecimento e alegria. Querida Rachel do futuro, lembra-te: a tua dor não te define, mas a tua coragem e amor sim. Continua a caminhar, mesmo que devagar. Continua a cuidar de ti e daqueles que amas. E nunca esqueças: tudo o que sentes agora é humano, legítimo e real.

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