A letter from Jul 10, 2025

Time Travelling — 12 months

Peaceful right?

Querido futuro eu, Você recebeu a última correspondência do seu eu passado há 15 dias e ficou com um misto de sentimentos sobre como as coisas podem mudar tanto e ao mesmo tempo não mudar nada em um ano. No ano passado, pouco tempo depois de escrita a carta, entramos no Saí do armário e me dei bem, uma bloca de carnaval que, apesar da sua participação inconstante e da dificuldade de interação, tem sido um espaço que tem um lugar especial no seu coração e que vc gosta de cultivar. Foi com esse mesmo grupo, inclusive, que você assistiu o show da Lady Gaga no quintal da Aline junto de um bom churrasco. Você tem sentido bastante carinho pelas pessoas da bloca e um sentimento de ter se encontrado quando toca na rua. O surdo bate junto com o coração. Além do surdo, você também está na alfaia do maracatu. O veto da Bia sobre o Aroeira - pra que ela pudesse estabelecer os vínculos dela lá - deixou de existir e você se inscreveu. Tem sido uma experiência deliciosa e mais um lugar para interação social, mesmo que bem diferente da bloca. Foi numa dessas interações, inclusive, que você encasquetou de tomar chimarrão (e está tomando enquanto escreve essa carta). A questão das relações interpessoais também tem sido algo em pauta nos últimos tempos (sempre tem sido, na verdade). Recentemente você tem se questionado se não é uma pessoa arromântica - ainda de forma muito preliminar - mas não conseguiu chegar numa resposta por não conseguir (nem você nem as pessoas com quem você conversou sobre isso) definir o que é uma relação romântica essencialmente. Como isso ficou? Nesse momento sinto que pode não ser a arromanticidade a resposta para esse incômodo que eventualmente aparece nas relações, mas também tá bem longe de ser uma romanticidade convencional. Bom, talvez eu esteja em negação. Ou talvez, ainda, seja um efeito colateral da medicação, vai saber. Atualmente você tem tomado uma dose alta de lítio (4 comprimidos), mas foi só nessa dosagem que você deixou de sentir as variações de humor de fato e atualmente suas emoções tem sido absurdamente amenas (o Flávio tomou uma dose mais alta por um tempo e disse que sentia as suas emoções espremidas de alguma forma. Você não tem se sentido assim, está mais no lugar da amenidade mesmo). Nesse exato momento além do lítio você tem tomado a quetiapina para ajudar a dormir e a ritalina para ajudar a estudar. Você está dando um tempinho da ritalina por conta da desregulação babado que rolou nas viagens do CRB em maio, você lembra? Foi um mês em que você foi para Ponta Grossa, Irati, Guarapuava, Pato Branco e Francisco Beltrão. Que loucura cara. Nesse meio tempo o diagnóstico do autismo se consolidou e a psicóloga lançou a ideia do TDAH, mas não tem sobrado muito tempo para explorar isso em sessão nesses útlimos tempos, porque a sua vida tem sido uma maluquice. Mas aparentemente os sintomas do TDAH passaram a aparecer mais conforme os sintomas da bipolaridade foram amenizados com o lítio. Provavelmente o TDAH sempre estivesse ali, mas a bipolaridade tinha esse efeito avassalador que cobria qualquer sintoma de outras coisas (inclusive do autismo). Você entrou na fila de espera de algumas universidades para tentar fazer a avaliação psicológica. Como está isso? Rolou? Em relação ao trabalho, ainda estamos no CRB. Chegamos de viagem no mês passado e teremos outras no próximo semestre. As viagens são beeeeeeem cansativas, mas compensam financeiramente. Tem sido bacana a ideia de alugar um carro (automático, claro) pra trabalhar. Traz um sentimento de adulto premium diferente do que você experimenta quando está em Curitiba. Sobre estar em Curitiba, tem crescido em você a ideia de se mudar pra Belo Horizonte (há umas duas semanas, inclusive, você fez um concurso pra lá). Apesar do concurso, seu plano é ir pra lá, de fato, só depois de terminado o doutorado, que agora deve estar bem próximo de finalizar. Como estão esses planos? Sobre o doutorado, há alguns meses a Megg sofreu um acidente e recentemente você começou a ser orientado por outra professora, que não tinha nenhuma noção sobre o tema que você estava pesquisando, mas estava disposta a oferecer direcionamento metodológico etc. Em que pé estamos no doutorado? Aqui em julho de 2025 a intenção é terminar até o fim de 2026. Cê acha que vai rolar? Por último, mas não menos importante, as relações e as fofocas. As pessoas mais próximas de você atualmente tem sido a Bia, o Antonio, o Flávio e a Jess, e uma vontade de se aproximar mais da Bianca. Sobre a Bia e a Jess tem estado tudo ok. Com o Antonio você teve essa semana uma DR para alinhar algumas coisas como ele deixar menos coisas na sua casa e vocês se verem menos vezes na semana. Nessa conversa, sem querer, o Antônio deixou escapar que o Flávio disse se sentir na sala de estar da minha vida e, diferente do Antonio e da Bia, por exemplo, ele não consegue acessar os outros cômodos. Eu não entendi bem o que isso quer dizer nem sei se vou conversar com ele sobre isso, mas é uma coisa a se pensar. Sobre a Bianca, você fez um date com ela uma vez e foi muito bacana, mas nunca mais teve tempo pra isso de novo. As fofocas que ainda estão por acontecer e que você aí no futuro já deve saber o desfecho são sobre a mudança de casa da Bia (nesse momento ela tá negociando alugar o apartamento do Flávio na 7 de setembro enquanto a Jheni tá buscando um apartamento pra comprar nas condições que ela tem. Enquanto isso, a imobiliária resolveu aumentar o valor do aluguel delas em mais de 500 reais, babado), e o possível fechamento do TDM (o pai Cleverson e o pai Junior vão sair do terreiro [e terminaram a relação deles, e o pai Junior tá pegando um novinho que é a cara do Cleverson], e isso pode inviabilizar a existência do terreiro das marias). Babados e babados. Espero que tenha tudo se resolvido da melhor forma possível. Você acabou de usar 1h30 de trabalho para escrever para si mesmo numa carga horária de 6h. O funcionalismo público por aqui tem funcionado bem. Espero que essa carta te econtre melhor do que estou nesse momento em que escrevo. (eu não estou mal, só espero que você aí no futuro esteja melhor!) Com carinho, Eli

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