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Dear FutureMe,
Hoje eu me sinto como um mar em dia nublado — cheia de profundezas que ninguém vê, com ondas que parecem calmas por fora, mas que dentro de mim se chocam com força. Eu estou vivendo um momento que ninguém me preparou para viver. Tenho vinte e poucos anos e carrego o peso de decisões que parecem maiores do que eu. Estou perdida, mas não de um jeito vazio — estou perdida de um jeito cheio, de um jeito que me atravessa.
Às vezes, parece que a minha cabeça é um campo de batalha entre a razão e o coração. Vivo um amor à distância, e esse amor é bonito, é sincero, mas também é difícil. Não é só a ausência física — é a ausência nos pequenos momentos. Um domingo sem abraço. Um choro sem colo. Um riso que ecoa sozinho. É como se metade da minha vida estivesse aqui e a outra metade em outro lugar, num lugar onde talvez eu precise ir, mesmo sem saber se vai dar certo.
Tenho medo. Medo de recomeçar, de decepcionar meus pais, de me perder mais ainda. Mas também tenho raiva — raiva por estar nessa posição, por ter tido que crescer tão rápido, por estar me cobrando tanto, por sentir essa solidão que ninguém vê. Os remédios que nunca foram parte da minha história agora fazem parte dos meus dias. E mesmo assim, mesmo com ajuda, eu ainda sinto vontade de chorar por coisas que não sei explicar.
As pessoas me dizem que não se larga nada por amor. Que a carreira vem primeiro. Que o certo é seguir a lógica. Mas e se a minha lógica for outra? E se a minha coragem for justamente essa — tentar o que todo mundo chama de loucura? Será que não posso me reinventar? Ter uma vida boa em outro lugar? Eu não quero viver vendo outras pessoas realizando meus sonhos enquanto eu continuo parada, com medo de errar.
Se eu errar, espero que eu tenha pra onde voltar. Mas hoje, eu só queria saber pra onde ir. Queria que alguém me dissesse que tudo bem não saber. Que tudo bem sentir tudo ao mesmo tempo. Que tudo bem querer muito e não ter certeza de nada.
Mas se eu estou escrevendo isso, é porque eu ainda acredito. Acredito que esse turbilhão vai passar. Que esse amor vai me ensinar algo, independente do destino. Que eu vou olhar para este dia e entender que, mesmo sem saber, eu já estava crescendo.
Que eu estava me construindo em silêncio. Mesmo perdida, mesmo com medo, eu estava tentando. E talvez, só talvez, isso seja ser forte de verdade.
Com carinho,
de mim para mim.
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