A letter from Oct 28, 2024

Time Travelled — 12 months

Peaceful right?

Para eu do futuro, Recentemente, encontrei algumas cartas nossas, incluindo uma da nossa eu de 2019 e outra da nossa eu de 2022. A carta de 2019 era bem energica, sabia? Eu mal podia acreditar na confiança que ela tinha em nós. Ela parecia que eu poderia conquistar o mundo só com um piscar de olhos, achei fofo o quanto ela acredita na gente. Mesmo considerando que estava passando por um momento difícil na época, foi reconfortante ler que uma parte de mim ainda acreditava. Não sei se tudo aquilo na carta era fingimento (considerando que ela tava completamente fudida da cabeça nessa época). Me senti orgulhosa de ser eu por um minuto. Ela me lembrou para continuar forte, disse que já superamos muita coisa e que eu mereço ser feliz. Afirmou que, independentemente de qualquer desafio, eu sou espetacular e que, mesmo que o mundo pareça enorme, consigo lidar com tudo isso. Ela falou que está feliz por quem eu sou: forte, corajosa e incrível, e também disse que ama a pessoa em que me tornei. Isso me trouxe um conforto enorme, pois sempre tive medo de não ter me tornado quem gostaria de ser. você nao faz ideia do quão confortante que é ter isso escrito por mim mesma. Saber que a minha eu de cinco anos atrás está orgulhosa de mim foi libertador. Ela disse isso e eu acredito nela. Senti ela gritando tudo isso pra mim, senti sua energia vibrando dentro de mim, me dizendo que eu posso fazer o que quiser porque o mundo é meu. Quero ser ela de novo. Eu posso, não posso? A carta de 2022, por outro lado, era cheia de gentileza e compreensão, algo que eu não lembrava de sentir. Tenho uma vaga memória de ter escrito aquilo, e era como se ela desejasse que estivéssemos bem. Ela me encorajou a não ficar triste e a acreditar que passaríamos por tudo isso. Caso as coisas não estivessem indo bem, ela me pediu para ficar calma, respirar fundo e lembrar que eu não sou um fracasso. Ela também falou que sou forte, incrível e que me admira muito. Disse que eu consigo, que sou suficiente e que tudo vai dar certo. Também me agradeceu por ser eu. Isso me fez pensar sobre oque eu quero escrever, você prefere ler oque eu estou realmente pensando ou oque eu quero que você pense? Quer que eu te diga as palavras que eu queria escutar ou as palavras que meu coração canta pra mim mesma? Acho que eu preferiria mentir pra você. Odiaria ouvir sobre as dúvidas, odiaria ouvir sobre como me sinto inútil, odiaria ouvir sobre como não acredito em mim, odiaria ouvir sobre como pareço estar vagando, odiaria ouvir sobre como não confio em mim, odiaria ouvir quantas vezes duvidei da minha capacidade, odiaria ouvir as rachaduras. Odiaria. Acho que vou contar mesmo assim ok? Mesmo que você odeie, eu preciso ser escutada. É tão fácil duvidar de mim. É tão fácil esquecer quem sou. Tão fácil me afundar em sentimentos tristes. É fácil esquecer de comer, de tomar banho, de tomar sol, de viver. É fácil viver em outros livros, em outros mundos, na própria mente. É difícil enfrentar os medos e como a ansiedade de deixa paralisada. Eu queria me sentir mais forte, mais capaz, mais a eu de 2019. Eu queria sentir que tenho o poder de conquistar o mundo. De destruir ele também. Eu queria sentir que eu queria algo grande e que correria atrás disso. Queria me sentir menos como se eu não fosse nada demais, queria me sentir grande e voando e livre. E não como se estivesse em uma gaiola que nem parece uma gaiola, parece só... normal a ponto de nem parecer ter grades a serem cortadas, uma fechadura a ser arrombada e, ainda sim, parece ser uma gaiola porque me deixa presa ao chão sem poder voar. Sem poder ser eu. Sem poder gostar de mim e confiar em mim. 2019 parecia queimar, com uma confiança e intensidade como uma chama. Ela parecia queimar. Ela era como um grito ao mundo, uma certeza para confiar na capacidade de enfrentar qualquer coisa, mesmo no meio de tempestades. Eu não sinto ela dentro de mim, não como era antes. Eu sei que ela ainda existe de mim, embora, ela pareça abafada e tão distante de quem sou hoje em dia. E o carinho de 2022 era mais quieto e cheio de compreensão, me lembra de tentar me conhecer bem e ser gentil porque as vezes nao é sobre lutar e vencer, mas também se acolher, de ouvir as vulnerabilidades e encontrar conforto nisso. Às vezes, é tão difícil se lembrar que até as inseguranças e os dias parados são necessários, são partes importantes para continuar existindo, para poder ser eu. Mas mesmo que essa carta seja mais pra mim mesma do que pra ser lida pelo futuro, meu presente pra você é essa vulnerabilidade. É o conhecimento que mesmo que eu esteja me sentindo dispersa, vagando, mesmo quando não me sinto nem perto de uma “eu” grande, forte e indestrutível eu continuo. Continuo com as esperanças e sonhos e medos e ansiedades e com cada parte pequena de quem eu sou. E talvez, mais do que seguir sempre em frente com um fogo imbatível, o importante é que mesmo na dúvida, no medo, na incerteza, eu estou aqui, eu sou eu e continuo com a gente. Talvez isso seja perto o suficiente de voar.

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