A letter from Oct 02, 2024

Time Travelled — over 1 year

Peaceful right?

Hoje eu tô só o caco Estou com muito sono, muita vontade de chorar. Tô cansada, minha mente cansada, olhar para o computador é uma tarefa que está exigindo muito de mim neste momento. Estou escrevendo esta carta com a esperança de que a "eu" do futuro esteja em paz, descansada. Espero que você esteja comendo um bolinho de laranja e tomando um cafézinho sem um nó na garganta. Não quero nunca imaginar que você esteja em sofrimento. Estou ciente de tamanha tolice a minha de ficar colocando à mesa minhas mazelas, e que estas, quando comparadas às de outros humanos, se tornam insignificantes. No entanto, acredito que cada guerreiro passa pelas batalhas que consegue lutar, ou morre nelas. Alguns personagens deste livro chamado vida, se vão precocemente, não vencem suas batalhas, ou talvez seja ainda maior tolice achar que as dificuldades da vida são batalhas que precisam ser vencidas. Doenças incuráveis e degenerativas, violência doméstica, ter a casa bombardeada, ter fome, ter burnout (meu problema), chega a ser ridículo comparar. Se ainda assim eu escolho acreditar na vida como uma batalha, devo ressaltar que sou um soldado demasiadamente fraco, mas muito astuto, pois venho escapando dos grandes ataques que causam dores escruciantes. No entanto, não tenho conseguido fugir daquelas pequenas dores, que embora pequenas, são constantes e que gotejam todo santo dia na minha cela, como o "sangue" daquele condenado que participou do experimento sobre o poder da mente e que vendado, morreu ao pensar que era seu sangue que estava se esvaindo quando, na verdade, era apenas água. Eu sou esse combo de melancolia, tristeza, amor pela arte, amor pelos animais, desamor por mim mesma ao ponto de desrespeitar meus limites, culpa cristã, vontade de viver, vontade de morrer. Sou saudade dos meus que já se foram, sou medo da falta dos que ainda irão. Medo de morrer antes do meu gato e do meu cachorro. Sou a pessoa atípica que não teve diagnóstico e que sabe que neste momento, cercada dos que me cercam, um diagnóstico só serviria para meu próprio desdém, mas que sofro com as pessoas barulhentas, com as multidões, com as etiquetas, com os cremes hidratantes, as cobertas de lã e as cenouras cortadas em rodelas e que também me regulo com o som do nada, que amo deitar no chão e esperar o sol se por enquanto a luz da janela do meu quarto vai desaparecendo. Sou o anseio de ser amada, entendida, querida, celebrada, respeitada. O anseio de abandonar a solidão que até o tempo presente é a minha realidade. Eu aqui do passado, de falar contigo, eu do futuro, já me sinto aliviada. Meu rosto parou mais de tremer e minha mandíbula está mais relaxada. Eu espero que ao ler esta carta, esses medos já não te assombrem mais e que estas vontades já sejam uma realidade. Eu escrevo esta carta para te mostrar que mesmo diante das dificuldades da vida do jovem adulto, no meu peito há esperança de que dias melhores virão e que estou pronta para vivê-los, e que se para ti eles ainda não tiverem chegado, mantenha-se em prontidão, eles não vão tardar. Se cuide minha querida. Não desista de você <3

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