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Olá, Natália do futuro.
Olha, eu vou falar para você coisas que eu estou passando agora.
Hoje é dia 1 de Agosto e eu acabei de ler uma carta da minha eu de 15 anos. Recebi a a carta no dia do meu aniversário, mas acabei não lendo.
Naquela carta, basicamente, eu comecei falando sobre como tinha sido o meu namoro com aquele menino lá no meu ponto de vista. Ok, tudo normal, mas aí eu comecei a falar de planos para o futuro, e foi aí que eu me peguei.
Eu falei que eu provavelmente iria terminar meus estudos na Europa e também falei que tinha o sonho de aplicar para Harvard e Yale. Isso me deixou perplexa, porque naquela época não tinha nenhuma perspectiva de eu vir para terminar os meus estudos aqui e esse sonho de Harvard e Yale foram tão reprimidos por mim mesma e por minha realidade da época que eu nem sequer lembrava que tinha pensado sobre isso. E eu também falava que queria ter projetos de fazer coisas em outros cantos do Brasil(pesquisas, etc).
Nossa, isso me pegou de jeito. Sabe por quê? Não é porque eu não lembrava de ter escrito essas coisas, mas, sim, porque eu estou negando parte dessas coisas por agora para voltar para o Brasil.
Eu tenho o projeto de ainda fazer alguma coisa em Harvard ou Yale, como um curso de verão, uma pesquisa, um mestrado, doutorado ou coisas assim. E ainda quero viver cá e lá; fazer cursos de verão na Europa, fazer outras coisas em outros lugares do Brasil, etc. Eu tenho isso muito forte dentro de mim de uma forma que eu sei que vai ser muito, muito difícil mesmo alguma força externa conseguir quebrar isso de mim.
Porém o fato é que a gente nunca sabe do futuro; eu não sei o que vai me acontecer daqui para frente. Eu não sei se esses meus tantos outros sonhos e projetos irão se realizar. Tudo o que eu tenho é o agora. E agora eu estou escolhendo voltar para o Brasil.
Por mais que EU tenha decidido isso baseado em argumentos válidos-que eu não vou citar nessa carta, mas você acha com facilidade no meu diário dessa época de agora-, falar “sim” para algo é dizer “não” para alguma outra coisa. O difícil é quando você quer essas duas coisas muito fortemente.
Eu quero ficar perto da minha família, da minha avó, quero ter os passeios que eu tinha no Brasil, quero apreciar o clima do Brasil, as praias, as belezas naturais do Brasil, as pessoas do Brasil(que são bem mais interessantes que os gringos); mas também quero ter liberdade de ir e vir, quero comprar livros direto da língua original deles sem pagar 300 reais na Amazon, quero conhecer culturas novas, ver produções arquitetônicas, ter bagagem de vida.
É complicado. A gente sabe que minha vontade é estar em todos os lugares ao mesmo tempo, mas não tem como.
A questão é que eu tenho todos esses planos, mas a gente não tem como ter certeza que eles vão acontecer, a gente não sabe do futuro e ele não está nas nossas mãos.
Acho que eu tenho que aceitar que o arrependimento pode estar presente na minha vida também; acho que ele faz parte de crescer.
Tá foda.
Ta foda dizer não temporariamente para todos os meus sonhos de criança e adolescente. Dizer não para eles é a mesma coisa que olhar para todas as Natálias que já fui e falar “não” para os sonhos delas. Me sinto estragando os sonhos delas por não falar “sim” para eles AGORA.
Porém, eu tive que decidir o meu rumo, estou escolhendo esse e estou firme nele.
É isso.
Natália, não desista dos seus sonhos. Você é capaz de tudo naquele que te fortalece. Contudo, não viva em função apenas da sua criança interior e da sua adolescente interior, que são muito sonhadoras. Se lembre que nós não temos as noções, vivências e conhecimentos que você tem.
Se apegue a Deus, ele é fiel. É a única coisa que é eterna, estável e perfeita na nossa vida. O tempo que você investir nele não vai ser um desperdício.
Sempre se lembre: Jesus te ama.
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