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Querido eu do futuro,
passei uma vida inteira sentindo muita raiva do meu pai, às vezes por conta de coisas que ele disse, às vezes por coisas que ele fez, às vezes eu nem conseguia apontar o motivo. Mas na maioria das vezes era por conta do que ele não fez, porque sempre o achei frio e distante e eu não conseguia me sentir amada. Esses dias fiquei pensando sobre a minha ridícula falta de habilidade de expressar o que sinto e comecei a me sentir muito culpada. Hoje, acho que o sentimento de solidão é o fardo do qual nunca iremos nos livrar nessa vida. Mas, tem vezes, que acho que o meu isolamento é fruto do fato de eu não amar as pessoas da maneira adequada e isso faz com que eu não receba nenhum amor de volta. E, enquanto eu me revolvia nesse cenário dramático, eu percebi a minha grande ambiguidade: eu sou exatamente igual a ele. Preciso ser sincera ao dizer que essa constatação não me fez sentir imediatamente conectada ao meu pai como eu pensei que aconteceria. Ainda oro para que Deus me ajude a ser mais empática. Gosto de imaginar que um dia eu vou me tornar adulta, e nesse dia, eu vou acordar e raiva terá desaparecido completamente. Querido eu do futuro, esse dia já chegou?
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