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Dear FutureMe,
Hoje, vendo algumas fotos do Rodrigo me deu uma crise de ansiedade. Comprovar que ele está conhecendo outras mulheres, que está feliz com os amigos fez meu ego doer. Talvez seja a sensação de que no fim eu não signifiquei nada pra ele. De que a vida dele seguiu e a minha estagnou numa profunda mágoa e não aceitação do nosso termino. (ou melhor do fim de algo que nunca começou).
Durante todo esse tempo, evitei olhar as fotos dele com medo do que poderia ver. Mas hoje depois de ver, de sentir dor, de sentir o corpo tremer eu finalmente pude entender que o meu espaço não era ali e nunca seria.
Ver ele com a provavel namorada e os amigos me fez entender que ali não é pra mim, não é o meu espaço, não é a minha galera e que ali não ficaria a vontade em ser eu.
Também percebi que a minha relação com Rodrigo foi uma eterna sensação de não poder ser eu mesma. Me encolher. Tentar caber. Querer agradar me adoeceu e eu não me dei conta do buraco que estava me colocando. Eu tinha dimensão de que seria doloroso um fim, mas não fazia ideia de que ia me despedaçar como despedaçou... Mexendo totalmente com a minha saúde emocional e física. Ele se foi e eu fiquei num profundo mundo de apatia e dor. Para onde eu fosse, com quem eu estivesse, eu não conseguia ver brilho. Essa relação foi estremamente tóxica e doentia pra mim.
Desde o inicio eu sabia que não me encaixaria no mundo dele, mas com a proximidade da nossa relação eu tive esperança até o último momento que poderia ser diferente. Me doei, entreguei toda a energia e o afeto que eu tinha e parece que tudo isso foi levado de mim e não foi deixado nada em troca.
Hoje, depois de muito lutar para não ver fotos dele puramente por medo de encarar a realidade, consegui ver todas as provas de que eu precisava para seguir em frente.
Provar para mim mesma que como eu bem já sabia, eu não cabia ali com ele, com os amigos dele, na vida dele. Meu lugar no mundo é outro, posso não saber ao certo onde, mas ali tenho certeza que não é.
Lembrei de duas coisas que falaram pra mim no passado quando estávamos juntos e que comprova tudo isso que estava escancarado mas que eu insistia em não enxergar:
Uma vez, a Amanda que morava comigo me disse: Não gosto de quem você é quando está com Rodrigo.
No fundo eu sabia que quando estava com ele me tornava uma pessoa séria, dura, igual ele, talvez minha forma de me encaixar. Era como se eu andasse na linha pedindo aprovação dele, pra que ele não desgostasse de mim.
A outra vez que ouvi algo semelhante foi quando fui pela primeira vez num terreiro e ouvi: Pq você está escondendo seu brilho?
Era isso, eu escondia meu brilho, eu escondia quem eu realmente era pedindo aprovação e aceitação, como se assim ele fosse querer ter algo comigo.
Toda essa relação foi muito dolorosa. Posso dizer que os momentos bons foram sufocados e que sobrou somente o lado tóxico, a mágoa, a raiva, a sensação de ser sido usada e de que não importa o que eu fizesse, eu jamais seria suficiente ali.
Agora consciente de que a vida dele caminhou e que eu só tava com medo de comprovar, posso seguir em frente. Com a esperança de concluir esse luto e de deixar a mágoa para trás e só levar comigo o aprendizado.
O aprendizado de me colocar em primeiro lugar em qualquer situação. O aprendizado de não mudar minha essencia para receber validação de homem nenhum, pq afinal não vai ser ele quem vai validar quem eu sou.
O aprendizado de não deixar um homem ou uma relação acabar com o meu brilho pessoal.
Hoje escrevo de Buenos Aires, Mercurio retrógrado veio com tudo, me fazendo enxergar a dura realidade que eu insistia em não ver para que assim pudesse alimentar minha esperança dele voltar.
Ele não volta e não pode voltar porque eu preciso seguir minha vida sem dor. Rodrigo me trouxe muita dor.
Talvez o ápice do nosso encontro, tudo isso que foi vivido só tinha o propósito de me fazer olhar pra mim. Nada além disso. Nada além de mim.
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