A letter from Sep 27th, 2021

Time Travelled — almost 5 years

Peaceful right?

Eu do futuro, Queria deixar essa carta a você para elogiar o quanto você aguentou e suportou todos os anos passados. Talvez essa mensagem não seja lida por você por algum motivo mas no momento, foi a única coisa viável que pensei em fazer. Você aguentou sozinha, desmorou sozinha, recompôs sozinha e suportou sozinha. Sei que não foi por falta de pessoas dispostas a ajudar por que você conheceu pessoas legais e boas sim, mas foi por que não quis ser a história triste que eles iam contar pelo resto da vida. No momento que escrevo estou com a mente confusa, como não sinto a algum tempo. Literalmente a única coisa que se passa na minha cabeça é o suicídio como forma de resolução. Talvez seja mesmo a única maneira, e talvez eu tenha colocado em prática essa ideia. O que quero que saiba nesse momento é que quando olho para o futuro não sei o que esperar. Sim, eu gostaria de estar trabalhando com o que gosto (design). Sim, eu gostaria de estar sentindo menos esse sentimento de tristeza, de fundo do poço e falta de esperança. Também queria ter paz. Claro, eu sei que será impossível 100% mas penso em algo como um sentimento de contentamento com a paz que seria possível sentir no sistema que vivemos. Como você está hoje? Como você se sente hoje? Eu sei que foram adições de fatos de desde que tenho consciência até o presente momento que resultaram em tudo isso. Mas a autopiedade tem me feito refletir muito se vale a pena continuar. A conclusão que tenho hoje é de que: não. Não vale a pena. Não tem por quê. A inferioridade, aparência, bullying e tudo mais. Sempre me senti assim. Tenho uma lembrança marcante da infância em que pelas primeiras vezes escrevi sobre tirar a minha vida. Também me lembro do quanto fui castrada no meio familiar e de quanto fui julgada por simplesmente ser eu. Meu cabelo, meu jeito, minha risada, meu rosto, minhas notas, minha inteligência, minha capacidade.... Nunca fui a que atingiu as expectativas. Nunca fui a que as pessoas se lembravam ou se importavam. Mas me acostumei com isso. Me fechei, me reservei, criei o meu lugar. Um lugar onde eu podia me sentir bem, onde eu podia ter ideias e me divertir. Acabei pensando muito. Vivendo muito no mundo de dentro, e menos no de fora. Deixei de sair para evitar humilhações assim, e acabei criando outros sentimentos. Não sei se piores ou melhores, mas, de fato, não eram positivos. Parei de tentar falar quando me dei conta de que não seria ouvida. Deixei de me deixar conhecer por pessoas da família e de fora que talvez sem saber fossem causadoras de uma parte de tudo isso. Criei personagens. Tentei me encontrar no meio deles. Me encontrei perdida. Misturada a tantos papéis e em tantos cenários e enredos. Mas em meio a todo caos houveram figuras que mesmo sem saber me ajudaram a recuperar uma parte do meu Eu. Descobri que eu posso sim rir dando gargalhada, apesar de ouvir que meu riso era feio. Também descobri que meu senso de humor é bom. Descobri que sei ajudar as pessoas, que sei ser boa no que faço e que não sou burra como dizem. Mas que apenas tenho outros interesses, assim como todos tem interesses diferentes entre si. É normal. Mas não fui ensinada assim. Também descobri que eu podia tentar cortes de cabelo, que podia me vestir do jeito que achava melhor e que eu podia ser eu. Eu descobri, mas não conseguia mais fazer. Já era tarde e já não era o suficiente. Mas não me orgulho de me ver como vítima. Sei que as coisas acontecem e existem muitos pontos de vista. Não 2, não 5. Mas muitos. Incontáveis ângulos para se olhar um acontecimento. Por isso, se você não estiver lendo esse grande email por que finalizou tudo eu sei que não foi em vão dizer tudo que disse. E que mesmo que fique escondido em uma caixa de spam, em um email abandonado, eu falei. Se você estiver lendo, quero que saiba que eu não realmente não esperava por isso enquanto escrevia. 5 anos me parecem tempo suficiente para muitas coisas. Mas se for o caso, obrigada por ter tentado. Por ter resistido e lutado contra. Você precisa se lembrar sempre de que nada é perfeito e que ninguém é perfeito. Não espere tanto pelos outros para descobrir quem você é. E muito menos se deixe levar pelo que dizem que você é. Um personagem pode ser o vilão em uma história, mas o herói em outra. E o que fez dele um herói ou um vilão? Justamente o ponto de vista, como a história foi contada pelo narrador. Suas decisões dependem única e exclusivamente de você. Não é a cultura do Eu, mas é reconheceu seu valor e entender que sua opiniãoe sentimentos importam também. Afinal do que adianta ficar sem ser por querer? Do que adianta partir querendo ficar? Analise, pense e aja. Não pule nenhuma das 3 etapas. Não se prenda em nenhuma das 3 etapas. Seja o que for, se lembre do que você já foi e do que você já viveu. Sempre pode piorar, mas também sempre pode melhorar. Como você está agora?

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