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Oi, futuro eu, eu nao sei o que voce pensa quando lembra dessa epoca que eu to vivendo agora, nem se voce pensa nisso mais, e eu to escrevendo essa carta esperando que voce esteja numa situaçao melhor. Hoje e dia 09/09/2021, eu voltei da escola faz umas duas horas (eu saio as 22:00), sabe, hoje foi legal na escola, apesar de continuar sendo do mesmo jeito que tem sido nas ultimas 2 semanas depois que eu voltei pra escola: ninguem fala comigo. No começo eu me senti meio triste e decepcionado quando percebi no que a escola tinha se tornado (um lugar onde as pessoas vao so para mexer no celular e nao reprovar de ano), porque eu sempre gostei muito de ir pra escola, era onde eu ia pra encontrar meus amigos e me divertir, e ela deixou de ser isso, mas eu ja me acostumei ;/.
Enfim, depois que eu cheguei da escola, eu fui comer alguma coisa como eu sempre faço, e depois fui mexer no celular. Dai eu fui na cozinha fazer algo e vi o Enzo no quarto da mae, ele tava falando sozinho e gesticulando os braços como se estivesse explicando alguma coisa (brincando), eu fiquei olhando para ele ate ele olhar para mim, e deixou de parecer que ele tava explicando para alguem imaginario, começou a parecer que ele tava explicando para mim, entao ele sorriu e disse: Aaah agora eu te pego Patrick! (ou algo assim) e veio correndo na minha direçao, ai eu ja sabia que ele queria brincar, ele começou a me dar socos, acho que ele nao tem noçao que ele pode machucar uma pessoa, mesmo que de leve, e eu nao tava afim de ser machucado (nem de leve), entao eu comecei a bloquear seus soquinhos e empurrar ele fraquinho, mas eu nao sei qual foi a merda que eu fiz que "embaçou" ele, ele ficou alguns segundos sem falar nada e provavelmente ele nao tava conseguindo respirar, quando a mae percebeu isso ela pegou ele e começou a berrar desesperadamente, a Carla acordou, o pai levantou da cama, e o Enzo ja estava respirando, Carla começou a dizer que ja estava dormindo e que a mae quase tinha matado ela de susto, enquanto isso o pai estava brigando comigo, e eu comecei a me explicar mas meu cerebro começou a perceber a gravidade do que eu tinha feito, entao eu entrei no meu quarto, apaguei a luz me deixando numa escuridao total e continuei repetindo a frase "me mata, me mata" (pensando agora, eu nao sei se eu so estava repetindo essa frase na minha cabeça ou eu estava sussurrando bem baixinho), deitei na cama, coloquei meus fones de ouvido e selecionei a musica "smells like teen spirit" e aumentei o volume no maximo porque eu sabia que eu ia precisar de algo bem intenso para anestesiar minha dor, enquanto isso eu continuava repetindo "me mata, me mata" (era como se eu tivesse entrado num transe). Eu me pergunto se voce ainda tem esse negocio de pensar em suicidio como uma valvula de escape, eu venho fazendo isso frequentemente, sempre que eu penso em algo que pode dar errado na minha vida e que pode me deixar num estado de dor insuportavel, eu penso assim: qualquer coisa que der errado eu posso rersolver me matando. Eu nao sei se isso e saudavel mas e um jeito de acabar com a ansiedade e me sentir melhor. eu acho que eu nao tenho mais nada a dizer pra voce, ja faz mais de uma hora que eu to escrevendo essa carta, eu espero que ela tenha um impacto positivo na sua vida. Eu falo como se voce fosse outra pessoa, como se nao fosse eu mesmo, mas e de proposito, eu quero mudar o suficiente para parecer que eu sou outra pessoa, eu sei que isso e possivel por que ja conteceu comigo, so que foi uma mudança negativa, entao eu ainda nao sei se e possivel haver uma mudança positiva, espero que voce tenha chegado a conclusao de que e possivel.
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