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Querido John,
Essa carta será totalmente diferente das outras que já escrevi a você. Contarei tudo o que aconteceu comigo durante cinco anos mas, prometo que serei breve pois não sei quanto tempo tenho.
Uma quinta-feira, se me lembro bem o horário era 19:00 do ano 2015, minha avó esteve lá em casa, a única que apresentei a ti. Fiquei muito feliz em vê-la pois fazia tempo que não nos encontrávamos, ela se queixava de dores no peito e nos braços e confesso que fiquei preocupado. E por mais que eu insistisse, ela se recusava a procurar um médico. Sábado, a noite ela morreu. Sozinha, sem ninguém para ajudá-la ou para segurar sua mão. Desde então me sinto culpado por ter saído de casa e ter deixado ela sozinha. Sinto que se eu estivesse presente, poderia ter ajudado de alguma forma. Sinto tanta falta dela que meu peito chega a doer igual o dela naquela noite.
Alguns anos se passaram, cresci, amadureci minhas ideias, e sonhei mais alto do que nunca... Ainda sonho em ser um grande enfermeiro como ela já foi, talvez até mesmo um grande cirurgião cardíaco, um modelo... Desfilar nas passarelas de Paris. Um simplesmente ter um atendente de balcão.
Ainda não me sinto realizado em nada, não me sinto feliz, não me sinto triste, apenas um grande vazio. Espero que daqui uns anos isso passe e que eu possa finalmente desfrutar da minha felicidade novamente. Espero que quando reler essa carta daqui cinco anos, eu possa olhar para traz e pensar "Finalmente consegui."
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