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Olá, Isis do futuro. Não sei ao certo, mas, sinto-me uma idiota escrevendo assim. Tentarei ao máximo não parecer idiota para ti.
Não sei como estão as coisas aí. Não sei o que está acontecendo contigo neste exato momento. Espero de todo o meu coração que esteja melhor de tudo o que aconteceu, que esteja viva e saudável, que se lembre bem de todos os momentos bons e esqueça os ruins, e que, é claro, tenha lembranças claras de todos os seus amigos e seus ocorridos.
Espero muito ter que te lembrar os motivos desta carta.
Bem, uma atividade avaliativa de redação nos solicita que escrevamos uma carta para um "eu do futuro" abordando a pandemia como um todo. Será que ela sumiu da sua memória em 2026? Espero que sim, isso te afetou tanto...
Separei uma série de perguntas/tópicos para responder, de modo que vai ficar mais fácil organizar os pensamentos.
Bem, vamos lá, certo?
Em novembro de 2019 surgiu um vírus desconhecido que abalou o mundo todo. Em poucos meses foi declarado como uma pandemia mundial e, em questão de uma semana, todas as cidades decretaram quarentena. Imagino que, assim como eu, muitos ficaram paranóicos na primeira semana. Eu ainda me lembro de muita coisa do início do que eu posso chamar de "ladeira abaixo". Não gosto de escrever com informalidades, você sabe que não (aliás, isso mudou?), mas, nesse momento foi preciso. Às vezes é necessário rir para não ser obrigado a chorar.
A primeira coisa foi a escola.
16 de março de 2020, correto? Foi o dia em que o CEFET declarou quarentena até que a situação melhorasse.
Depois foi toda a cidade, dia 20 de março de 2020. Belo horizonte decretou quarentena neste dia, era *****-feira, se lembra?
De certa forma, todos pensamos que seriam apenas duas semanas, no máximo um mês ou dois. Isis, estou tão orgulhosa de você mesma. Não é um feito enorme, mas a ausência de positividade em você não deixou que você acreditasse nessa falácia sobre o tempo.
Eu me lembro claramente daquela notícia: Ministro da saúde afirma que pandemia no Brasil deve se encerrar em outubro de 2020. Agora é minha hora de te criticar, Isis. Seu rancor é forte demais, permanece até hoje. Você tem que parar com isso e passar a se perdoar e perdoar os outros também. Ninguém além de você lembra disso, tenho certeza.
Enfim, me lembro que aquela notícia foi um leve balde de água fria em ti. Mas lembro que não duvidastes em momento algum. Era o ministro da saúde falando, alguém muito bem estudado e com capacidade de ocupar o cargo que ocupava. Por que eu duvidaria?
Hoje é dia 12 de julho de 2021. A pandemia ainda não passou, mas torço muito que esteja caminhando para o seu fim.
Me lembro que no início você estava bem. Bem até demais. Você achou que aquilo fosse ser um descanso prolongado. Aquela notícia diminuiu suas expectativas, mas, ainda assim, você estava bem em relação a isso tudo. Se lembra? "A aceitação é a mais bonita das virtudes." Era o que você dizia. Você aceitou fácil demais.
O tempo foi passando, o CEFET aceitou o tão temido EAD (que por algum motivo idiota eles denominaram como "ERE - Ensino Remoto Emergencial") e, foi aí que as coisas começaram a piorar. O que antes era um descanso começou a tornar-se um inferno. Eu me lembro como e quando as coisas pioraram. Por volta do segundo bimestre escolar, você se tornou mais exigente com as atividades. Queria sempre deixar o sistema o mais "verde" possível, assim, você sabia que estava livre. Por volta do terceiro bimestre, você já estava cogitando perder o ano. Você tinha pontuação suficiente para passar, você já tinha passado na maioria das matérias, faltavam 4 apenas, mas você não queria continuar. Eu te entendo. Você estava esgotada. Os dois meses de férias que o CEFET lhe "presenteou" depois não foram suficientes pra fazer com que sua mente desgastada se recompusesse. Não foram, nunca serão.
Sua rotina foi drasticamente afetada, não me esquecerei disso. Você acordava às quatro horas e quarenta e cinco minutos da manhã, tomava banho e se arrumava para a escola. Às cinco horas e quarenta e cinco em ponto, saía de casa para pegar o ônibus. Por volta de seis horas e quarenta minutos, você já estava na escola, escolhendo a mesa em que se sentaria. Hoje em dia sua rotina é apenas acordar às sete e quarenta e cinco, seguir as aulas e passar todo o resto do dia no computador, fazendo as atividades que pode para liberar o sistema e enviar tudo o mais cedo possível. A exigência não cessou. De maneira alguma. Me lembro de uma semana em específico em que, só de me aproximar do computador, eu sentia a crise de ansiedade se aproximando. Foi a pior semana possível. Por que sinto que isso vai voltar? Talvez volte mesmo.
Apesar disso tudo, muitas coisas boas aconteceram. Você saiu de um relacionamento que te fazia mal, fez amizade com pessoas que jamais faria — e se surpreendeu com elas porque foi extremamente bom —, entrou em um relacionamento que te faz muito bem, e algumas coisas mais. Poucas, mas ainda assim, existentes.
Agora estamos em 2021. Você continua exigente, rancorosa, esgotada. Você sabe que não vou me cansar de focar nos pontos negativos, não sabe? Espero que você tenha destruído essa mania.
Último tópico, mas não menos importante.
Como se sente agora, Isis? Não queria ter que admitir, mas eu não estou inteira. Definitivamente não. Parece que me quebrei em um milhão de pedacinhos minúsculos. Agora estou tentando juntar todos eles. Eu estou tendo ajuda, mas não está sendo fácil. Mas isso tudo vai melhorar, não vai? Torço que sim. Sinto que deveria sentir que sim, mas não sinto. Não é minha culpa, afinal. Positivismo não é e nunca foi comigo.
Enfim, me encerro aqui. No fundo do meu coração sei que as coisas vão melhorar e, afinal, merecemos isso.
Um enorme beijo, Isis do futuro.
Saiba que você está fazendo seu melhor, você fez seu melhor. Você merece um descanso, uma pena você não tê-lo agora. Ainda assim, saiba que tudo vai dar certo. Tenta manter a positividade (mesmo que você não tenha muito disso);
Vai dar certo, Isis. Vai dar certo.
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