Lembro exatamente da primeira vez que a vi. Lembro do seu sorriso, do seu perfume e daquele sentimento inexplicável que tomou conta de mim. Recordo perfeitamente a nostalgia que sinto quando penso na época em que nossas almas finalmente se encontraram. Lembro do seu olhar me pedindo para ficar, da sua voz doce e das nossas curtas ligações, quando seu riso preenchia cada silêncio. Era como ouvir uma melodia de Beethoven no fim de uma noite cansada, algo capaz de trazer paz mesmo quando tudo parecia pesado.
Já se passaram longos anos e, até hoje, não consigo passar uma única noite da minha vida sem imaginar como seria viver novamente o nosso romance. Não como Chuck Bass e Blair, uma das histórias que você tanto gosta, e muito menos como Damon e Elena, da série que é a minha predileta. Eu penso no nosso próprio roteiro. O roteiro de duas almas apaixonadas que se separaram por causa de um erro de um deles, mas que nunca conseguiram realmente se esquecer. Duas almas que, mesmo distantes, continuam clamando uma pela outra, como um passarinho ansiando para voltar ao seu ninho.
Mas também me lembro exatamente da última vez que a vi.
Estávamos em uma festa com mais de mil pessoas. Era impossível não ouvir o barulho, as vozes, a música e toda aquela multidão ao nosso redor. Mas, em meio a todas aquelas pessoas, foi ela quem meus olhos encontraram.
Ela vinha na minha direção.
E então me abraçou.
Naquele instante, eu congelei.
Por alguns segundos, não consegui acreditar no que estava acontecendo. Parecia um sonho. Depois de tantos anos, depois de tanta distância, depois de tantas coisas que ficaram sem ser ditas, ela estava ali, diante de mim, me abraçando novamente.
Queria dizer que nunca esqueci sua voz, seu sorriso, seu perfume. Queria dizer que, apesar de todos esses anos, existia dentro de mim uma parte que ainda esperava por nós. Queria dizer que eu teria feito tudo diferente, que teria escolhido ficar, que teria amado você como deveria desde o início. Mas, diante dela, tudo o que eu havia ensaiado tantas vezes dentro da minha cabeça parecia pequeno demais.
Algumas pessoas passam por nossas vidas e vão embora. Outras deixam uma parte delas dentro de nós, e levam consigo uma parte de quem éramos. Talvez seja por isso que, mesmo depois de tantos anos, eu ainda pense em você, Vitória. Porque perder você não significou apenas perder alguém que eu amava. Significou perder uma história que poderia ter sido, uma vida que talvez nunca saibamos como seria e uma versão de nós dois que nunca tivemos a oportunidade de conhecer.
Mas eu ainda gosto de acreditar que algumas almas não se encontram por acaso. Se as nossas estiverem realmente destinadas a ficar juntas, talvez a distância seja apenas parte da história, e não o seu final. Porque, por mais longe que um passarinho voe, por mais tempo que passe longe de casa, existe algo dentro dele que sempre sabe o caminho de volta para o seu ninho. E, se algum dia nossas almas encontrarem novamente esse caminho, espero que seja diferente.
Talvez você apenas olhe nos meus olhos e se lembre.
3 palavras, 7 letras.
Pedro
Espero que essa carta chegue até você...
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