A letter from May 12, 2026

Time Travelled — 7 days

Peaceful right?

Dear FutureMe, Tem dias em que eu sinceramente não aguento mais viver dentro da minha própria cabeça. Essa merda de Transtorno de Personalidade Borderline junto com a Depressão me destroem de um jeito que ninguém consegue enxergar de verdade. Porque por fora eu ainda continuo funcionando, continuo respondendo, continuo tentando parecer normal, mas por dentro parece que eu tô sempre desabando em silêncio. E eu acho que o mais doloroso é perceber que eu nunca consigo simplesmente sentir as coisas de forma leve. Tudo em mim é intenso demais. O amor, o medo, a insegurança, a tristeza, o apego, a sensação de abandono. É como se qualquer mudança mínima tivesse força suficiente pra abrir um buraco enorme dentro de mim. E eu sei que muitas vezes não faz sentido. Eu sei que relacionamentos mu***, que o começo nunca vai ser igual pra sempre, que as pessoas demonstram de formas diferentes com o tempo. Eu sei de tudo isso racionalmente. Mas minha cabeça não acompanha a razão. Porque basta um detalhe pequeno. Uma mensagem diferente. Uma falta de demonstração. Um silêncio. Um jeito mais distante. E pronto. Parece que alguma coisa dentro de mim entra em desespero imediatamente. Meu peito aperta, minha cabeça começa a criar mil cenários horríveis e eu começo a acreditar que tô sendo deixada de lado, esquecida, substituída ou que a pessoa simplesmente cansou de mim. E o pior é que eu tento esconder. Tento fingir que tô bem porque tenho medo de parecer exagerada, cansativa, difícil demais de amar. Então eu vou guardando tudo dentro de mim até não caber mais nada. Até explodir sozinha. Até chorar escondida no banheiro, deitada na cama ou olhando pro teto de madrugada enquanto minha cabeça me destrói pouco a pouco. Tem momentos em que eu sinto uma necessidade absurda de fugir. Fugir de mim, fugir das pessoas, fugir da pressão que existe dentro da minha mente o tempo inteiro. Porque viver assim é cansativo demais. É cansativo sentir como se eu estivesse sempre prestes a perder tudo que amo. É cansativo precisar constantemente de reafirmação enquanto me culpo por precisar disso. É cansativo amar alguém e ao mesmo tempo ter medo o tempo inteiro de não ser amada da mesma forma. E quando a TPM chega, tudo fica ainda mais insuportável. Parece que tudo que já machuca normalmente triplica de intensidade. Eu fico mais sensível, mais triste, mais irritada, mais desesperada. Minha vontade é só chorar, desaparecer e abandonar tudo antes que as coisas me abandonem primeiro. Pequenas coisas viram gigantes dentro da minha cabeça. Uma mudança de tom, uma resposta seca, um dia mais distante… qualquer coisa vira motivo suficiente pra eu sentir que meu mundo tá acabando. Nessa fase eu me sinto impossível de suportar. Parece que eu viro um peso pra todo mundo, inclusive pra mim mesma. E aí vem a culpa. Culpa por sentir demais. Culpa por pensar demais. Culpa por precisar demais. Culpa por não conseguir simplesmente ser “normal”. Porque eu vejo outras pessoas vivendo relacionamentos de forma leve enquanto eu tô aqui lutando contra pensamentos que me convencem o tempo inteiro de que vou ser abandonada, trocada ou deixada pra trás. E ninguém entende como isso dói. Porque não é só tristeza. Não é só insegurança. É uma sensação constante de vazio misturada com medo, ansiedade e exaustão emocional. É como se eu estivesse o tempo inteiro tentando impedir meu próprio coração de afundar. Como se eu precisasse lutar diariamente contra pensamentos que me puxam pra baixo enquanto tento manter uma aparência de que tá tudo sob controle. Às vezes eu sinto saudade de quem eu era antes de tudo isso ficar tão pesado. Saudade de conseguir viver sem analisar cada detalhe. Saudade de não transformar silêncio em abandono. Saudade de conseguir acreditar que alguém pode me amar sem que eu precise ter medo disso acabar o tempo inteiro. Porque amar pra mim nunca foi simples. Amar sempre veio acompanhado de pânico, apego extremo, medo de perda e uma necessidade desesperada de sentir que eu sou importante o suficiente pra alguém ficar. E isso destrói relações aos poucos, porque eu começo a me afastar justamente quando mais preciso de carinho. Eu fico fria tentando esconder o caos dentro de mim. Eu me calo esperando que alguém perceba. Eu choro sozinha porque não sei explicar o tamanho da dor sem parecer dramática. E quanto mais eu guardo, mais fundo eu afundo nesse buraco que parece sempre me esperar de novo. O pior sentimento do mundo é perceber que a própria mente virou um lugar perigoso pra ficar. Porque eu nunca sei quando vou acordar me sentindo bem ou quando vou acordar querendo sumir do mundo. Nunca sei quando vou conseguir controlar meus pensamentos ou quando eles vão me consumir completamente. E viver nessa instabilidade cansa. Cansa num nível que eu não consigo explicar. Tem noites em que eu deito e sinto vontade de desligar de tudo. Não porque eu não ame as pessoas ao meu redor, mas porque eu tô cansada de carregar esse peso emocional enorme todos os dias. Cansada de lutar contra mim mesma. Cansada de sentir como se eu fosse difícil demais de amar e intensa demais pra alguém suportar por muito tempo. E talvez ninguém perceba porque eu aprendi a sofrer calada. Aprendi a transformar crise em silêncio, dor em isolamento e medo em afastamento. Mas aqui dentro tá tudo gritando o tempo inteiro. E às vezes eu só queria que alguém entendesse que eu não sou assim porque quero. Eu só tô cansada de tentar sobreviver a sentimentos que parecem grandes demais pra caber dentro de mim.

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