A letter from November 29th, 2020

Time Travelled — almost 5 years

Peaceful right?

Dear FutureMe, Oi... Sou eu... No caso, você só que mais nova. Bom... Hoje é um daqueles dias em que a gente tá meio mal por motivo nenhum, sabe? Enfim... Eu tava lembrando de quando a gente tinha doze anos e a gente tava conversando com a nossa mãe sobre o nosso aniversário de quinze anos... A gente tava preocupada sobre nosso dindo e nosso pai. Sobre como a gente ia fazer na hora da valsa, quem ia primeiro. E como ia fazer pra não dar briga entre os dois ou entre nosso pai e nossa mãe... Lembra disso? Mal sabíamos nós que depois de três anos as coisas mudariam abrupta, brusca, bizarra, amedrontadora, desesperadora e apavorantemente... Nós estamos “brigadas” com o nosso pai, porque no aniversário dele ele nos disse que nós não nos importávamos, então nós estamos mostrando pra ele como seria se nós realmente não nos importássemos. Já se passou um ano desde aquele maldito 21 de setembro onde nossa mãe bateu com o carro as sete vezes no carro dele, nos traumatizando completamente (imagino se isso ainda nos assombra como assombra hoje). Já se passou mais de um ano que não podemos falar com o nosso dindo... Me pergunto se isso ainda nos afeta como afeta hoje. Sinto em relatar isso... Mas mal sabíamos nós que nada seria como sempre sonhamos, uma vez que nosso maior sonho era um dia poder chegar na casa da nossa mãe e encontrar ela e nosso dindo fazendo qualquer coisa de velho, enquanto nossos filhos iam até eles chamando-os de avô e avó... Mas enfim... Lágrimas caem dos meus olhos nesse exato momento... Achei que demoraria menos para que começassem a cair, mas até que fui bem “resistente”... Me pergunto se as coisas que nos assombram hoje em dia nos assombra no momento em que você lê esta carta... Com certeza tem outras coisas que te assombram nesse momento, mas me pergunto se entre todas as coisas a te assombrar, ainda tem coisas que nos assombram agora... Imagino como nós estamos... Se estamos fazendo faculdade no Rio, morando no apartamento da nossa avó (ela ainda vive, né?); ou se continuamos com nossa mãe; talvez se fomos ficar com nosso pai... Eu realmente não sei, existem milhares de possibilidades... Me pergunto se você ainda faz poemas, se você ainda pinta, se você ainda faz hipismo, se você ainda tem contato com o Jean, se você já volto a falar com o nosso dindo... Me pergunto muitas coisas sobre você... Espero que você esteja bem, e espero que você esteja viva para receber essa carta... Espero tantas coisas... Espero que você tenha superado as coisas que nos assombram... Faça outra carta... pode ser legal... Com amor, Você, Sofia

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